Autor: Fabiani Fortes

  • Ciência que também merece aplausos

    Ciência que também merece aplausos

    Por Professora Fabi Fortes

    Outro dia, entre um vídeo e outro no TikTok, me deparei com uma daquelas entrevistas de rua. A pergunta parecia simples: qual cientista brasileiro premiado você conhece?

    O silêncio que se seguiu — e as respostas tímidas — disseram muito.

    Na mesma hora, pensei em Tatiana Coelho de Sampaio, professora da UFRJ. Após mais de 25 anos de dedicação à biologia e à medicina, sua pesquisa resultou no medicamento experimental polilaminina, um avanço científico com repercussão internacional. Um orgulho nacional — ainda pouco conhecido fora dos círculos acadêmicos.

    Curioso como nossa memória coletiva funciona. Se a pergunta fosse sobre cultura, os nomes surgiriam com facilidade. Mas quando o assunto é ciência, recorremos quase sempre a referências estrangeiras, como se o conhecimento de excelência não fosse produzido aqui, por mulheres e homens que transformam o mundo longe dos holofotes.

    A pandemia escancarou isso. Falamos de vacinas, do Instituto Butantan, de números e gráficos. Mas quantos lembram de Jaqueline Goes de Jesus, a cientista que liderou o sequenciamento do genoma do coronavírus no Brasil em tempo recorde, feito essencial para o enfrentamento da Covid-19? Seu trabalho lhe rendeu prêmios nacionais e internacionais, além de homenagens simbólicas que levaram a ciência para o imaginário popular.

    Na genética, o nome de Mayana Zatz ecoa no mundo. Reconhecida com o Prêmio L’Oréal–UNESCO Para Mulheres na Ciência, ela dedicou sua carreira ao estudo de doenças genéticas raras, ampliando diagnósticos, tratamentos e esperança para milhares de famílias.

    Quando olhamos para o planeta, é impossível não citar Carlos Nobre. Referência global nos estudos sobre mudanças climáticas e Amazônia, foi um dos cientistas brasileiros associados ao Prêmio Nobel da Paz, concedido ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), além de inúmeros prêmios ambientais internacionais.

    E muito antes de o Brasil se firmar como potência agrícola, foi Johanna Döbereiner quem revolucionou a produção de alimentos ao desenvolver pesquisas sobre fixação biológica do nitrogênio, reduzindo custos, impactos ambientais e colocando o país em destaque mundial. Seu trabalho foi tão relevante que a cientista chegou a ser indicada ao Prêmio Nobel.

    Essas pessoas não desfilam por tapetes vermelhos. Mas sustentam o país com conhecimento, ética e impacto real.

    Como professora — e como mulher — acredito que também é papel da coluna social dar visibilidade a quem constrói legado.

    Talvez esteja na hora de ampliarmos nosso repertório de admiração. Porque ciência também é cultura. E reconhecer quem transforma o mundo, silenciosamente, é um gesto de elegância — e de consciência.

    Colunista Professora Fabi Fortes

    Revista Diário de Bordo

  • Seminário de Compras Públicas em Porto Alegre

    Seminário de Compras Públicas em Porto Alegre

    O Seminário de Compras Públicas realizado em Porto Alegre reuniu gestores, servidores, especialistas e profissionais da área para um dia intenso de debates, aprendizado e troca de experiências. Com auditório cheio e participação ativa do público, o evento se firmou como espaço estratégico de formação sobre um tema que exige preparo técnico, ética e responsabilidade social.

    Mas o dia começou antes das palestras. Porto Alegre amanheceu com aquele clima de expectativa que costuma acompanhar encontros relevantes. Entre cafés apressados e reencontros, percebia-se que o seminário ia além da atualização normativa: havia ali consciência do peso que cada decisão em compras públicas carrega.

    Ao longo da programação, ficou claro que comprar bem é um ato de responsabilidade com o dinheiro público. Cada escolha impacta diretamente a qualidade dos serviços oferecidos à população, a sustentabilidade das políticas públicas e a confiança da sociedade nas instituições. Por isso, transparência, eficiência e planejamento não apareceram como conceitos abstratos, mas como práticas indispensáveis ao interesse coletivo.

    Nesse contexto, eventos de capacitação mostraram-se fundamentais. Eles qualificam decisões, reduzem riscos, fortalecem a gestão e aproximam teoria e prática. Mais do que repassar normas, promovem reflexão, troca de experiências e atualização constante — elementos essenciais em uma área que se transforma rapidamente e exige decisões cada vez mais técnicas e conscientes.

    Especialistas compartilharam vivências, gestores trouxeram desafios reais do cotidiano e servidores contribuíram com perguntas e observações que enriqueceram o debate. O conhecimento circulou com generosidade, reforçando a ideia de que boas compras públicas não se constroem de forma isolada, mas coletiva.

    Ao final do evento, Porto Alegre seguiu seu ritmo habitual. Mas quem participou do seminário não saiu igual. Saiu mais informado, mais preparado e, sobretudo, mais consciente da responsabilidade que envolve cada processo conduzido.

    Porque o sucesso de um seminário não se mede apenas pela lotação do auditório, mas pelo impacto silencioso — e duradouro — que ele deixa nas escolhas que virão depois.


    Colunista Professora Fabi Fortes
    Revista Diário de Bordo

    Crédito das fotos: Mônica Cruz