Lingerie plus size: influencers apontam principais mudanças nos últimos anos

Atualmente investir em manequins plus size é mais do que uma tentativa de marcas se mostrarem inclusivas, tornando-se, também, uma estratégia de mercado. De acordo com dados da Associação Brasileira de Vestuário (Abravest), divulgados pelo Sebrae, o segmento cresce 6% todo ano e movimenta cerca de R$ 5 bilhões no país. A mudança chegou em diversas áreas da moda, como o setor de lingerie, com empresas intensificando a produção de números maiores para se manterem competitivas.

Por muitos anos, peças íntimas destinadas a mulheres que vestiam números superiores a 48, ou seja, as consideradas lingeries plus size, eram raras nas lojas – hoje, o cenário é diferente. “O mercado plus size avança por vários motivos, seja pelo aumento de consumo – já que a população, de modo geral, tem aumentado seus manequins – ou porque várias mulheres, hoje em dia, se aceitam e querem valorizar seus corpos com peças sedutoras e poderosas”, afirma a Miss Brasil Plus Size 2019 e influencer, Samara Happel.

Encontrar lingeries sexy foi por muito tempo um desafio. As poucas opções disponíveis eram limitadas a cortes grandes e modelos básicos. “Esse público era invisível aos olhos da sociedade. Agora melhorou muito, temos opções de lingeries bonitas e atraentes, que ajudam na autoestima”, afirma Cris Valeriano, modelo plus size de 27 anos.

Porém, a mudança não foi da noite para o dia. Segundo Naiany Cavalcante, também modelo e influencer plus size, a inclusão de números maiores foi o resultado de longos anos de demanda de clientes e da busca de influenciadores digitais pelo reconhecimento merecido. “O cenário só mudou porque lutamos muito para que isso acontecesse. Hoje, o mundo enxerga nosso corpo e respeita mais”, aponta a modelo.

 Representação de diversos corpos – Uma grande mudança para a consumidora plus size, além de conseguir encontrar manequins que sirvam, foi poder se sentir representada nas modelos dos mostruários. Para Samara Happel, essa identificação é a maneira que a cliente tem de conferir como a peça ficará nela. “Sem um corpo que se assemelha ao meu, não tenho ideia de como o item irá se comportar em mim – até onde cobre, até onde vai. Se a modelagem não for pensada para mim, possivelmente a peça também não é”, aponta a modelo.

                        

Porém, esse ainda é um ponto em que muitas mulheres buscam melhoras. De acordo com Samara, a maioria das modelos presentes em editoriais são curvilíneas, mas não necessariamente vestem manequins plus size. “Essa é uma dificuldade ainda latente, infelizmente. As modelos não representam a grande maioria das mulheres gordas, com barriga, gordurinhas nas costas, culotes”, afirma a influencer.

Dessa forma, apesar das marcas estarem apostando em numerações maiores e contratem modelos que não necessariamente correspondem ao padrão de magreza, muitas mulheres ainda têm dificuldade na hora de adquirir uma peça nova.

Lingerie plus size, também, é sexyUm preconceito repercutido sobre a lingerie plus size é que seria uma peça básica, que não visa a sensualidade, como lembra Camila Miranda, de 26 anos. “Há dez anos era impossível encontrar uma lingerie bonita para mulher plus. Tamanhos grandes eram limitados a cores bege, preto e branco e todos no padrão ‘vovó’ – como se uma mulher gorda não pudesse ser sexy”, aponta a operadora de caixa que, nas horas vagas, trabalha como modelo plus size.

Ao passo que números menores eram recheados de opções de cortes e modelos, Camila afirma que, por muitos anos, sentia dificuldade para encontrar peças que a agradavam. Para Cris Valeriano e Naiany Cavalcante, a sensualidade também é ponto chave na hora de escolher a lingerie. Segundo as modelos, a prioridade vai para peças confortáveis, mas sexy, que evidenciem os seios e com cores chamativas.

A lingerie pode ser uma ferramenta para aumentar a autoestima e a confiança de muitas mulheres. Por isso, não encontrar modelos bonitos para seu tamanho é prejudicial e intensifica a insegurança. A fim de comprar peças diferentes, muitas mulheres plus acabavam optando por lingeries apertadas, que incomodavam ao longo do dia – o que também pode impactar diretamente no bem-estar. “Tamanho 48 era considerado grande há uns anos, mas existem mulheres reais, como eu, que usam 54 até 60. Hoje, fico muito satisfeita em encontrar peças íntimas que se enquadram no meu corpo. A indústria da moda finalmente percebeu que a lingerie não foi feita para nos esconder”, conclui Camila.

Detalhes da lingerie plus sizePeças de lingerie possuem semelhanças básicas, independente do manequim escolhido. Porém, quando se trata de itens plus size existem alguns detalhes importantes, que podem passar despercebidos pelas marcas, principalmente se não houver pesquisa sobre a real demanda das mulheres gordas.

Naiany Cavalcante aponta que é interessante que a empresa divulgue exatamente seus manequins, uma vez que o termo “plus size” engloba muitos números. “É superimportante saber quais tamanhos a marca vai receber até o manequim 60, além de pensar nos tecidos e nas modelagens das peças”, afirma.

Cris Valeriano redobra a relevância de verificar o tecido utilizado na produção da lingerie. “É preciso avaliar a qualidade desse material como um todo, ver se ele é resistente e se realmente se adequada ao seu corpo, de forma confortável”, aconselha a modelo. Portanto, são indicadas peças feitas de algodão, tecido respirável para uso diário, com elastano na composição, material que permite maior elasticidade e conforto.

A sustentação ganha ainda mais destaque para manequins plus size, principalmente para mulheres com bustos maiores. Para isso, alças e laterais largas, com finalizações reforçadas, chamam atenção. “Procuro alças resistentes e costas mais largas. Além disso, se a costura for mal-feita, o arame pode sair e até machucar, por isso, um bom acabamento é essencial”, aponta Camila.

Além disso, é preciso ter uma ideia geral do caimento da peça, a fim de se certificar que ela é adequada para o uso constante. “Vejo se a calcinha não irá ficar enrolando ao longo do dia, se a taça ou bojo acolhem e dão a sustentação que preciso, se a alça do sutiã é grossa, mas não grosseira. São vários pontos para se observar”, lembra Samara Happel.

Tendências do segmento Uma grande afirmação ecoada no movimento plus size é o fato de que manequins maiores também são sexy. Portanto, quando se fala de tendência no segmento, peças mais ousadas, com detalhes sensuais, costumam chamar mais atenção do público.

Alguns cortes e modelos mais indicados são bodies decotados e sutiãs push-up. Para a calcinha, é possível apostar tanto em maior cobertura, com a caleçon, quanto em estilos bem cavados, como o biquíni ou até mesmo fio dental. Para potencializar a sensualidade do primeiro estilo, que tem formato semelhante ao de um short, vale inserir transparência, rendados e laços.

O corte com mais cobertura, também, é o escolhido de Samara Happel. “Meu modelo favorito – para o dia a dia ou para momentos íntimos – é a calcinha hot pants com sutiã estilo cropped. Me sinto segura com a sustentação da barriga e dos seios e adoro como essas peças abraçam minhas curvas, deixando-as no lugar que gosto”, afirma.

Porém, atualmente, opção não falta para o público plus size. O mercado possui itens dos mais variados modelos, cores e tecidos, para mulheres de todos os tamanhos. “As marcas estão apostando nisso porque virou tendência. Novo tempo, nova era… E mais liberdade para todas”, conclui Naiany.

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