Não faça drama

Diário de Bordo
08/07/2022
Tempo de leitura: 4 minutes

Ao começar escrever esse artigo, eu estava determinado a falar sobre desenvolvimento pessoal quando a minha colega me ligou trazendo uma bomba daquelas que acontecem de vez em quando. Aqueles que trabalham em empresas de médio e grande porte estão acostumados e entendem o que estou dizendo. Trabalhar com muita gente envolvida com vendas, operação e clientes não é uma tarefa muito fácil, pois qualquer ruído na comunicação pode resultar em um impacto lá no resultado da empresa. Resolvendo o problema de hoje, decidi escrever sobre o quanto é importante ter um time capaz de resolver problemas complexos. Infelizmente, desde pequenos não somos ensinados a pensar estrategicamente e muito menos ter a calma necessária para visualizar a melhor saída. O que mais vejo dentro das empresas são pessoas assustadas quando o problema surge e ainda catastrofizando, ou seja, aumentando, dramatizando a ponto de acreditar que não existe solução. Se é problema, com calma, competência e estratégia, temos que ser capazes de resolver.
O primeiro ponto quando o problema aparece a sua frente é preciso ouvir atentamente e procurar entender todas as fases do acontecido. Se for preciso, você deve ouvir mais de uma pessoa para ter a realidade clara da situação. Geralmente os profissionais assustados com represálias omitem informações ou aumentam o grau de importância do ocorrido. Certa vez, uma diretora financeira, que diga-se de passagem, uma das profissionais mais inteligentes que mentorei, trouxe uma catástrofe para a sessão de mentoria. Escutei atentamente e perguntei, qual o grau desse problema de 0 a 10? Ela me respondeu 10, dei uma pausa e voltei a perguntar: e se um dia pegar foco na empresa qual seria o grau de importância desse problema? Houve aquele silêncio e ela concordou que estava aumentando além da conta o problema. Portanto, é preciso entender a gravidade do problema, todas as suas faces para assim ter a realidade clara e com ela tomar as primeiras decisões para solucioná-lo. Com essas informações, você vai decidir se precisará de apoio externo ou se você e a equipe têm condições de resolverem sozinhos. Nessa hora é preciso muita humildade e transparência. Com medo de receber feedbacks negativos, muitos profissionais acabam não compartilhando o caso com os superiores. Preciso dizer que o fato do funcionário ter medo de você é algo totalmente de sua responsabilidade. Às vezes o líder também é catastrófico e dramático e acaba criando um medo na equipe e nunca as informações ruins chegarão a você. Em cima disso digo que a inteligência emocional é essencial. Se todas pessoas envolvidas na situação estiverem nervosas, receosas e tensas, a dificuldade de resolver o problema e encontrar soluções será extremamente maior. Um líder deve adorar ouvir notícias tristes.
Quando falo isso, quero dizer que as pessoas devem ter liberdade de trazer os problemas e ouvir do líder conselhos e orientações. Nessa hora o líder se torna uma espécie de coach e mentor, capaz de elevar a autoestima, confiança e a capacidade do funcionário. Por fim, quando o problema surge, com todas as informações em mãos, com o problema do tamanho que ele realmente é e com a calma necessária para pensar, é importante o líder estimular cada um dos envolvidos a encontrar soluções. Para você ter uma ideia, segundo pesquisas, cerca de 90% dos problemas o próprio funcionário sabe o que fazer, mas não faz por medo ou pelo ego da liderança. Tem líder que adora centralizar as coisas, não deixando as pessoas pensarem e assumirem a responsabilidade. É mais fácil para ele reclamar dos outros do que liberar as pessoas para crescerem ao seu lado. Mas se você é um líder inovador e sabe que o empenho das pessoas só é obtido quando elas sentem-se donas da ideia, permita que elas deem sugestões e você apenas irá lapidar as ideias de uma forma que sintam-se importantes na solução daquele problema. Pensamento estratégico só funciona com informações baseadas na realidade, inteligência emocional e competência.