Autor: Ronan Mairesse

  • O cérebro humano e a quantidade de informações

    O cérebro humano e a quantidade de informações

    A quantidade de informações que recebemos diariamente é brutal. O nosso cérebro não foi configurado para receber essa quantidade absurda de dados. São os e-mails, mensagens de WhatsApp, rádio, tv etc. Fica praticamente impossível armazenar tanta informação na mente sem que não existam erros. Eu, por exemplo, sempre fui capaz de armazenar datas e horários na cabeça, mas nos últimos cinco anos não sei mais como trabalhar sem o Google Agenda. Muitos dizem que no futuro existirão dispositivos que ajudarão o nosso cérebro a processar melhor esses dados, mas acabam não percebendo que isso já há muito tempo. O próprio Google Agenda, que eu e você usamos, já é uma extensão do nosso cérebro. Antigamente podia-se dizer que uma pessoa sabia muito quando ela era capaz de falar sobre um assunto o tempo que fosse solicitado. Hoje em dia, com a quantidade de coisas que temos que saber, fica muito difícil aprofundar em todos os temas que precisamos conhecer, e é justamente aí que entra a tecnologia para nos ajudar. Ao contrário do passado, o profissional de hoje precisa saber com “profundidade” duas coisas: a primeira é onde está a informação que precisa e a segunda é fazer conexões dessa informação com a realidade atual.

    Não estou dizendo que a pessoa não precisa mais estudar, e sim, que ela estude e armazene essa informação de um modo que, quando precisar, saiba exatamente onde está. Para que isso seja possível, é importantíssimo alimentar a tecnologia com a informação certa. Nada adianta usar o Google Agenda e esquecer ou anotar errado a informação, mas posso dizer para você que até isso, em poucos anos, será resolvido. Vou mostrar contanto uma história que aconteceu comigo essas semana. Estou negociando uma palestra em uma cidade aí do Vale do Rio Pardo. A pessoa que está me contratando pediu uma apresentação para o lançamento das vendas de Natal na terceira semana de novembro, mas eu não sei por que eu entendi terceira semana de dezembro. Até falei: legal, a última palestra do ano! Olhando agora, imagino que por ser Natal eu entendi dezembro. Hoje ela entrou em contato comigo confirmando a palestra no dia combinado, mas no mês de novembro, em uma cidade diferente que ela tinha me dito primeiramente.

    Achei estranho e questionei a cidade e ainda brinquei com a situação, mas aí percebi que a data não era dezembro e sim novembro. Resumindo, tivemos que fazer toda uma alteração pelo erro que cometi. Se ela não tivesse errado a cidade eu jamais estaria lá no dia combinado. No futuro esse tipo de problema será raríssimo. A assistente virtual da contratante, uma inteligência artificial, irá primeiramente conversar com ela sobre o objetivo do evento e datas e entrará em contato com a minha assistente virtual. As duas conversarão sobre datas, valores de investimento, irão negociar valores e somente se for necessário eu e a contratante iremos nos envolver nisso, até porque as nossas assistentes, se tiverem dúvidas, irão nos perguntar.

    Como elas estarão sempre ao nosso lado, escutando tudo que combinamos e dizemos, elas aprenderão com isso e nos alertarão de problemas, como, por exemplo, as datas e horários dos nossos compromissos. Isso tudo está sendo criado para que eu e você, que está lendo esse artigo, possa focar justamente naquilo que somos bons, em nossos talentos, habilidade e, principalmente, em nossa missão e propósito de vida. Teremos mais tempo para cuidar do que realmente importa, e parte das informações ficará com a nossa inteligência artificial, que irá guardar e nos oferecer essas in- formações quando preciso. E aí, o que você acha desse futuro que está para vir em apenas poucos anos?

  • O que podemos aprender sobre a Gestão com a Copa?

    O que podemos aprender sobre a Gestão com a Copa?

    Logo após o término da partida da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de Futebol Feminino, as minhas redes sociais e meu WhatsApp ficaram inundados de perguntas sobre a eliminação da equipe brasileira. Não tenho amplo entendimento técnico e tático de nenhuma modalidade. Prefiro, na verdade, não conhecer com profundidade essas competências, para não opinar ou gerar julgamentos que me atrapalhem no processo de ajudar as comissões técnicas, com a gestão emocional do grupo, e o atleta, com a preparação mental, por isso irei opinar baseado no que a psicologia do esporte e da liderança, no que dizem os estudos científicos e na minha prática dentro de clubes, empresas e seleções.
    Até hoje ajudei seis técnicos e suas equipes em competições nacionais e internacionais. Tenho participação em duas Copas do Mundo, com a base feminina sub-20, em 2016, e masculina sub-17, que veio a conquistar a Copa do Mundo em 2019, mais duas conquistas de brasileiros femininos e campeonato mundial de ginástica. Não alcançamos o objetivo em apenas um dos casos, mas os atletas estavam há quatro meses sem receber seus salários e, mesmo assim, com a ajuda da comissão técnica, conseguimos fazer os atletas focarem nas competições. A sorte não nos ajudou com três bolas na trave no jogo decisivo, e digo para você, esse foi o trabalho que mais me orgulho, pois não é nada fácil ter foco na competição quando a carteira está vazia.
    O que posso dizer para vocês, sobre a Seleção Brasileira, está ligado diretamente à preparação mental e o quanto é importante blindar a mente de qualquer negatividade, para manter o foco e a concentração. Somos seres energéticos e transmitimos aquilo que estamos pensando, através de atitudes e comportamentos. O atleta não deve se expor, para não quebrar a parte energética que leva à determinação e à vontade de vencer. Você pode achar que não, mas tirar fotos com a seis estrelas é algo gravíssimo, do ponto de vista emocional, prova disso é a maneira que os adversários jogam contra o atleta que antes do início da competição divulga imagens na internet. Sei que o atleta não fez por mal. Ele mesmo diz que era para demonstrar confiança, mas temos que sempre pensar no impacto que isso causa no adversário, prova disso é a maneira com que os atletas da equipe oponente chegam nele em jogo, com agressividade e, em muitos casos, com uma força desproporcional. Veja o caso do CR7 e Messi, o adversário chega duro, forte, mas com lealdade, dificilmente vemos esses dois atletas lesionados.
    Outro ponto são as dancinhas para o gol. Dizer que tem mais de 20 coreografias já prontas é algo que concentra a energia na festa e não no desempenho, além de despertar a ira e raiva, aumentando a competitividade

    do adversário, que são de culturas que acreditam que isso é uma agressão e uma tremenda falta de respeito. Basta perceber a postura da Croácia contra o Brasil e contra a Argentina, um time totalmente diferente. Sempre digo, o que não ajuda, mesmo sendo divertido, atrapalha. É melhor, nesses casos, não fazer. É o caso do bife com ouro, que foi motivo de críticas nas redes sociais dos atletas. Isso mexe com a cabeça, o atleta não concorda com o ataque do torcedor e acaba ficando triste, chateado ou irritado, tudo isso atrapalha a concentração na competição. Um outro exemplo era o sono dos atletas. Vimos postagens em horários que em Doha era madrugada e dia ou noite no Brasil. Do ponto de vista neurofisiológico, é um problema gravíssimo. O sono é o primeiro dos pilares absolutos para o controle mental. São raros os atletas, assim como Romário e Renato Gaúcho, que entravam em campo sem dormir à noite e faziam a diferença no outro dia. Em competições assim, é preciso muita disciplina e, até mesmo, tomar meditas drásticas, como é feito na base, recolher o celular. Um outro ponto que trago é a maior preocupação em agradar a todos do que manter o desempenho. O jogo contra Camarões foi prova disso. Penso que sim, estrategicamente temos que poupar uma ou outra peça, mas tirar os atores principais do palco diminui a concentração e a competitividade.
    Essa Copa mostrou que, quando decidirmos realizar algo, é preciso estar atento aos detalhes. Penso que a parte mental no futebol erroneamente é definida somente pela autoconfiança do atleta. O ser humano é mente, alma e biologia. Nós, como líderes, devemos entender cada vez mais dessas coisas se quisermos uma equipe capaz de superar os obstáculos que a vida nos apresenta.

  • É nada fácil fazer um nome no mercado, mas é fácil demais destruí-lo

    É nada fácil fazer um nome no mercado, mas é fácil demais destruí-lo

    O seu caráter, a sua ética e moral são o maior ativo que um profissional deve zelar. Não existe marketing mais eficiente do que aquele de boca a boca. Você pode investir em rádio, jornal, TV e tráfego de internet, mas se existir um mínimo de desconfiança do mercado em você ou no seu produto, tudo poderá estar perdido. Infelizmente, muitas pessoas têm a seguinte crença: “falem o que quiser, mas falem de mim.” Você deve ter ouvido isso pelo menos uma centena de vezes por aí, mas lhe digo, se é para falar coisas negativas, que não abra a boca!
    Um nome de credibilidade não se conquista de uma hora para outra, posso dizer com convicção, estudo sobre o caso e experiência, que as pessoas com maior credibilidade não são aqueles que nunca erraram ou que nunca cometeram bobagens, mas aquelas que assumiram a sua responsabilidade perante os problemas. É praticamente impossível ter sucesso sem às vezes cometer atos falhos, por isso que o profissional que está ciente do seu erro precisa imediatamente mostrar as caras e não se eximir a liderança para corrigir os seus deslizes. Na liderança, chamamos isso de enfrentar a realidade. Contra fatos e evidências não existem desculpas. Um dos piores comportamentos da liderança, que deixa a equipe totalmente decepcionada e descrente, é quando o líder, apesar das provas, ignora a realidade que está à vista dos olhos de todos. Líderes e profissionais em geral agem assim por diversos motivos, seja por ego, seja para não mostrar fraqueza ou acreditar que isso pode desmotivar e fazer com que as pessoas não sintam mais credibilidade nele. Bobagem! Quando as pessoas sabem do todo e a liderança expõe as dificuldades, a maior parte das pessoas se juntam para ajudar a solucionar o problema, pois assim sentem-se parte de uma tarefa desafiadora, que, se vencida, poderão sentir orgulho lá na frente e, se perdida, verão o líder batalhando até o final para resolver o problema.
    Tenho certeza que a maioria, mesmo com a derrota, sairá da batalha admirando a liderança por ter tentado até o final e isso aumentará a credibilidade. Até aqui, falei muito sobre a liderança, mas lembre-se que todos somos líderes em maior ou menor grau. Não precisamos ter cargo de gerente para ter credibilidade com o restante da equipe. Credibilidade vem com boa conduta, em falar e fazer de acordo com aquilo que se fala. Você pode errar como vendedor, secretária, estoquista etc., mas, no momento que assume a responsabilidade pelas suas ações, sua liderança aumenta, mesmo não sendo líder de fato. Portanto, cuide da sua imagem como se fosse um bebezinho recém-nascido. Encontre maneiras de mostrar o quanto és uma pessoa confiável e faça as pessoas perceberem que é possível confiar em você.
    Quando errar, assuma tão rápido quanto você recebeu a informação. Às vezes você não perceberá que está errando, tenha humildade de ouvir quem está te mostrando o caminho e, após, agradeça, mesmo que não concorde completamente com tudo que está sendo dito, mas rapidamente assuma aquilo que realmente está errado e, por fim, jamais deixe de encarar a realidade, pois depois que as pessoas deixarem de confiar em você, a sua credibilidade será difícil de ser resgatada.