O debate sobre modelos de jornada de trabalho no Brasil vem ganhando força nos últimos meses, e algumas grandes empresas já começaram a colocar mudanças em prática. Um dos exemplos mais recentes vem do Beto Carrero World, considerado o maior parque temático da América Latina.
A empresa anunciou a adoção da escala 4×2 em setores operacionais e de atendimento, substituindo gradualmente o tradicional modelo 6×1. Na prática, os colaboradores passam a trabalhar durante quatro dias consecutivos e recebem dois dias de folga em sequência, em um sistema contínuo de revezamento.
Segundo o CEO do parque, Alex Murad, a mudança começou a ser implementada ainda em 2024 e já apresenta reflexos positivos tanto para os funcionários quanto para a experiência dos visitantes. A empresa afirma que o novo formato contribuiu para melhorar o clima organizacional, reduzir desgastes físicos e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo para novos profissionais.
A adoção da nova escala também exigiu reforço nas equipes, ampliando o quadro de colaboradores em diferentes áreas operacionais. Mesmo com o aumento dos custos, a direção do parque entende que o investimento faz parte de uma estratégia de longo prazo voltada à retenção de talentos e à valorização humana.
Além da questão interna, o movimento acompanha uma discussão nacional cada vez mais presente sobre equilíbrio entre vida profissional e bem-estar. Especialistas apontam que modelos mais flexíveis tendem a gerar aumento de produtividade, melhora no atendimento e maior satisfação das equipes.
O tema segue dividindo opiniões em diversos setores da economia, especialmente em atividades que dependem de funcionamento diário e atendimento contínuo ao público. Ainda assim, iniciativas como a do Beto Carrero World mostram que empresas brasileiras já começam a testar novos caminhos para o futuro das relações de trabalho.
Fontes ligadas ao setor de turismo e entretenimento avaliam que o modelo poderá influenciar outras operações do segmento nos próximos anos, principalmente em áreas com alta rotatividade de profissionais e dificuldade de contratação.
A iniciativa também reforça o posicionamento do parque em um momento de expansão e fortalecimento da marca no cenário nacional do entretenimento.

Alex Murad, CEO BCW






